Um blog de Moda e História

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Moda-protesto de Karl Lagerfeld na Semana de Moda de Paris



Holofotes! Quem disse que moda não é protesto? Já nos anos 20 Amelia Bloomer buscava racionalidade no modo de vestir, e como ela fez isso? Com a apropriação dos trajes masculinos! A peça, todavia, só alcançou certa tolerância quando a rainha da moda, Coco Chanel, introduziu o “pijama de praia” nas suas coleções. Nos anos 30, Marlene Dietrich já desfilava no cinema com ternos masculinos. Isso era protesto sim! Alguns chamaram de Traje Transgênero, como assinala Marnie Fogg. A alta-costura pouco a pouco perdeu espaço para o prêt-à-porter, e as mulheres ganharam cada vez mais “liberdade” de não se submeterem a inúmeras provas de roupa, essa também era uma necessidade das mulheres com pouco dinheiro. Com a Segunda Guerra Mundial e Paris invadida, muitas maisons foram fechadas, com isso veio a necessidade de peças práticas. Os anos 1940 também foram importantes no mundo da moda em relação aos cidadãos afro-americanos  com manifestações na área da música e consequentemente da moda... tínhamos o início da cultura urbana! No pós-guerra adolescentes urbanos “rebeldes” adotaram um estilo universitário mais descolado. Fins dos anos 40 trazem anúncios da linha de sutiãs, fundada em 1922, por Ida Rosenthal, com mulheres modernas e “livres”. O biquíni com a barriga de fora também causa furor entre os conservadores. Como não lembrar também das mini-saias da Twiggy nos anos 60? Dos mini-vestidos? Ah, a gente também já falou do monoquíni de 1964... A revolução punk também tem seus méritos no mundo da moda. 
Em pleno século XXI, o que temos? A Chanel, das primeiras linhas da publicação, sob direção de Karl Lagerfeld, acaba de lançar um desfile polêmico como tudo no mundo da moda: um desfile protesto fashion. Pra quem não acompanha as celebridades do mundo da moda, eu explico. A Semana de Moda de Paris trouxe nesse último desfile da Chanel uma composição urbana com direito a megafones e placas de protesto pelo direito da mulher. Em contraposição, “Não se reduzam ao consumo, vocês realmente acham que isso é um protesto? dizem as garotas anti-consumo. Mas a moda é isso aí,  é justamente para isso que a moda serve, é uma arte com seus limites  e críticas como tantas outras... ainda que muitas mocinhas com dinheiro para comprar roupas da Chanel não saibam disso. Karl tem uma marca, de irreverência e inovação. E trouxe nesse último desfile mulheres elegantes lutando por causas femininas! A Paris urbana que fervilhava em revoluções. Roupas que lembravam aquela primeira revolução mesmo, da mulher que saiu de casa e trabalhou na fábrica. Aquela mesma marca da Chanel que vestiu de menino as meninas, como dizia a crítica francesa. Aquela mesma marca da Chanel que lutou pelo direito da mulher de não mais se ver apertada em espartilhos. Pelo direito de ser "livre" na moda, e livre na vida. Cara Delevigne dizia no protesto “Faça moda, não guerra”. Sim! 














Aproveitei que essa foi uma publicação corrida... e postei só as fotos das publicações do Instagram, mas tudo referenciadinho. 

(e sim, eu ainda estou chorando porque não tenho uma Barbie do Karl Lagerfeld)

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