Um blog de Moda e História

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Por trás das grandes marcas (e nomes): Dolce & Gabbana





No mundo da moda (quase) nada surge por acaso, acontece que o fetiche pelas grandes marcas às vezes se dá sem o conhecimento de como elas surgiram. Mas isso é óbvio, ninguém ao colocar algo no carrinho de compras do supermercado imagina todo o trajeto da lata até a prateleira, com as roupas não é diferente, ninguém escolhe peça por peça pensando na aula que a Miranda Priestly dá em O diabo veste Prada. Porém, como historiador mais que um fetiche por roupas tem fetiche pelo passado, decidimos criar uma sessão no blog apenas para lembrar as origens de algumas marcas.
Eis que uma amiga em viagem recente à capital mineira trouxe para mim uma revista com uma matéria sobre a Dolce & Gabbana, e eu achei tudo deveras interessante. Vamos à história...
Os anos 80, além das polainas e legging’s  retomou como a década dos estilistas e com isso das grifes. O dinheiro gasto com o mundo da moda atingiu valores extremos e marcou a entrada de estilistas como Giorgio Armani e Calvin Klein. A demanda pelas roupas luxuosas era em grande medida influenciada pelas séries televisivas americanas, e o prêt-à-porter de luxo invadiu a cena. O renascimento da alta costura dos anos 1980 também foi acompanhado por mudanças em marcas já consolidadas como a Chanel que com a direção de Karl Lagerfeld objetivava atrair o mercado jovem, como lembra Marnie Fogg.
Mas, vamos ao assunto de hoje, a revista que li a matéria é uma edição da Veja Luxo de setembro de 2013 e trazia fatos que você talvez desconheça. Primeiro: o nome da marca é uma junção de Domenico Dolce e Stefano Gabbana, mais que uma parceria estilística Dolce (55 anos) e Gabbana (51 anos) tiveram um relacionamento amoroso de vinte anos, que acabou em 2004, mas permaneceu como parceria da marca. Segundo: as inspirações da marca partem, em grande medida, de uma ilha no sul da Itália.
A primeira loja da marca foi aberta em 1985 e ganhou o mundo, inclusive o Brasil. Outro ponto interessante levantado pela entrevista feita com Domenico: na verdade o lugar que inspira a coleção desde os anos oitenta faz parte de um período da infância do estilista bastante tedioso. A ilha, com pouco mais de 5 milhões de habitantes, onde seu pai trabalhava como alfaiate e a mãe vendia tecidos, foi considerada por Dolce como “um tédio, sem nada para fazer e com costumes rígidos” (P. 23)*. A ilha inspiradora é composta por montanhas, mar, vulcão e possui uma economia basicamente agrícola. As referencias nas roupas também são totalmente providas de sentido, a marca não veste mulheres pelo simples prazer de vesti-las, mas as veste como mulheres independentes e dignas de vários amantes, assim como de vários presentes raros, nas palavras do próprio Domenico. Sabe aquela pergunta clássica quando vemos um vestido estranho: Nossa, ela enrolou na cortina e saiu de casa? Dolce & Gabanna levam isso a sério, a edição de inverno do ano passado, inspirada em vitrais, cerâmicas e mosaicos bizantinos, trazia um vestido de renda com inspiração do interior da catedral de Santa Maria Nuova, de 1184.   E como nem mesmo a alta costura fugiu ao prêt-à-porter de cada dia, a estreia da alta costura dessa edição passada  veio seguida de duas coleções prêt-à-porter local. 






 *Veja Luxo, setembro de 2013.