Um blog de Moda e História

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Da série Melissa: A inspiração de plástico nos pés do Mundo

Em 2014 a marca Melissa completou 34 anos de existência, poderíamos assim fazer uma metáfora com uma mulher na casa dos trinta anos, uma mulher que já explorou o mundo, que sabe ser feminina e ousar quando necessário, e principalmente uma mulher que ama a moda e vive de inspirações.
 Na Serra Gaúcha, em meados da década de 1970, os irmãos Alexandre e Pedro Grendene trabalhavam com a fabricação de embalagens plásticas para garrafões de vinho, em dado momento tiveram a ideia de dar um novo rumo a fábrica e começar a produzir sapatos feitos de plástico. Parece uma tarefa simples, mas transformar o plástico em um calçado confortável e bonito é um desafio, mas desde início a Melissa tinha inspirações, e sua primeira inspiração foi as sandálias de tiras que vários pescadores da Riviera Francesa usavam, assim nasceu o primeiro modelo: a melissa Aranha.

(http://blogdamaanuh.com/2013/12/historia-da-melissa/)

Para a promoção da nova marca, a Grendene inovou e foi uma das primeiras marcas a usar a televisão a seu favor, embarcou no sucesso que foi a novela global Dancin’ Days (que foi ao ar em 1978/1979) a sandália estava nos pés da personagem Júlia (vivida pela atriz Sônia Braga), a moda pegou mesmo e não demorou muito para que as ruas fossem invadidas com o sapato de plástico  combinadas com meias.
(http://casadoestilo.com/blog/voce-conhece-a-historia-da-melissinha/)

No inicio da década 1980, a marca criou uma linha para as crianças que vinham acompanhadas de um acessório eficaz para aumentar o fetichismo do produto e também aprendeu que para convencer esse público era preciso comunicar com o universo deles, tais como a utilização dos personagens da Disney, entre outros.

A essa altura a sandália era conhecida em todo o país, foi nesse ponto que a marca resolveu dialogar com o mundo e chamou o estilista francês Jean-Paul Gaultier para desenhar para a marca.

(http://blogmodapopular.blogspot.com.br/2012/12/a-historia-das-sandalias-melissa.html)

Quando a marca Melissa ganhou uma divisão dentro da Grendene, estava decidido, a Melissa não queria ser apenas uma produtora de sapatos, ela queria inspirações, ao mesmo tempo, queria inspirar. Com a porta aberta para o exterior as parceiras com a marca começaram freneticamente, Thierry Mugler, Vivienne Westwood, Jason Wu, Jacqueline Jacobson (da marca Dorothée Bis) e Elisabeth Seneville. A combinação de moda + arquitetura com nomes, tais como, Zaha Hadid e os Irmãos Campana, só aumentam a gama de inspirações. Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Thais Gusmão, Isabela Capeto, Ronaldo Fraga, e o artista plástico Romero Brito, são os brasileiros que também fizeram parcerias com a marca.
         (http://blogdamaanuh.com//wp-content/uploads/2013/12/Untitled-2.jpg)

A transição de uma marca nacional para uma marca multi nacional, só faz entender como o fetichismo ainda é um campo grande no mercado atual, pois quando a marca mexe com todos esses nomes famosos, mexe também com os sonhos e fantasias que milhares de pessoas que queriam participar avidamente desse cenário da moda nacional e internacional. Entendido isso, a marca começou a dialogar com o seu público, fazendo com que a interação fosse um caminho de mão dupla, houve uma coleção em que os consumidores podiam ajudar a criar alguns modelos.
(http://1.bp.blogspot.com/-WK4C8Fe9h9I/UFuAkqG1GZI/AAAAAAAA-XM/U9kDV8gEtp4/s400/melissa%2B3.jpg)


Em 2002 a Grendene foi patrocinadora do São Paulo Fashion Week, no qual montou um espaço na Bienal para apresentar ao público sua coleção com Romero Brito, a partir desse ano o SPFW tornou-se um evento anual no calendário da marca. No ano de 2005 é inaugurado na Rua Oscar Freire em São Paulo, a Galeria Melissa, o lugar foi projetado não só para ser mais uma loja, mas para abrigar suas principais inspirações, contando com exposições de moda, arquitetura, fotografia, entre outros. O diálogo com o exterior esta na Galeria Melissa de Nova York, que foi projetada por Muti Randolph e inaugurada em 2012, que conta com o objetivo de diálogo com a sede no Brasil, compartilhando sua história e suas inspirações com a metrópole do mundo. As duas galerias, a cada nova temporada, um artista é convidado para mudar a fachada da loja.
(http://2.bp.blogspot.com/-DFNjZQaewrI/ULv-xbHp05I/AAAAAAAAAZA/77D3towFCrU/s1600/content_9409.jpg)



 Se a primeira frase do capítulo da Mercadoria do Capital, Marx disse que a mercadoria é para satisfazer o estomago e a fantasia, a melissa entendeu bem o recado e desde cedo começou a se instaurar com na fantasia de milhares de mulheres que queriam ser parecida com a bonita Sônia Braga e depois usou das fantasias das crianças para comandar o mercado de sapatos infantis, e recentemente tem  estado na maioria das fantasias de mulheres que tem por inspiração a moda, as artes plásticas e da arquitetura.
Lays Capelozi

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

“Meu país é o mundo todo” #melissa






Como vocês viram, ontem fomos acompanhar o lançamento da última coleção da melissa, a Melissa Nation, aqui em Uberlândia, Minas Gerais. Quem já viu de perto a coleção deve estar, assim como o Pretty-à-Porter, com uma boa sensação de tudo. Bom, pra quem ainda não adquiriu nenhum sapato e não viu a revista Plastic Dreams edição inverno de 2014, não tem problema, nós contamos tudo para vocês.
A Melissa Nation celebra o multiculturalismo, uma boa jogada em ano de copa do mundo! Mas, mais que isso, unindo todas as etnias também parte em busca de nossa própria essência, que, nesse caso, não poderia deixar de ser uma busca coletiva. Isso você pode ver logo na capa da edição da Plastic Dreams. E o que tem dentro da revista? A procura dos sentidos, cores, estilos...

Chloe Norgaard, modelo americana capa dessa edição

Qual não foi minha surpresa quando logo nas primeiras  páginas vi que no texto da Erika Palomino estava lá citado meu grande escritor de pesquisas acadêmicas: Jorge Luis Borges. O texto intitulado “Uma nação em si” fala que:


“A coleção de inverno 2014 de melissa reforça o respeito mútuo entre pessoas de todas as origens, credos, etnias, nacionalidades e naturalidades. Cada vez mais presente em todas as partes do globo, Melissa Nation aborda questões como a busca ancestral, o nomadismo urbano e a cultura das ruas”


Precisava de prefácio mais instigante que esse?! Nós achamos que não, então vamos contar um pouquinho do que vêm por aí nessa coleção que ainda não chegou totalmente às lojas. Baseada no multiculturalismo a melissa buscou incorporar nessa coleção diferentes etnias, a Nação nada mais é que o povo, e o povo está em todos os lugares. O tema é a viagem, e quem viaja encontra muita gente, mas uma hora ou outra encontra a si mesmo. É nessa hora que o não-lugar acaba virando um lugar... Coisas da contemporaneidade!

Só uma prévia: os modelos Travellers são para as meninas românticas e trazem inspirações de Londres, Paris, Tóquio, Nova York. Lacinhos e fitas compõem essa categoria. A Guides baseia-se em um público mais antenado e alternativo (e a minha melissa Nation se enquadra nessa). As botinhas, os sapatos com salto mais quadrado, a coleção dos Campana. Temos também as Locals que estão ligadas a um visual moderno. Vai de melissas clássicas à coleção da Vivienne Westwood...


E se você achou que isso ainda é pouco, convido  para assistir o desfile da marca no São Paulo Fashion Week. Para começar só a passarela colorida de obstáculos já deixa entrever que a coleção desse ano não veio para brincadeira (ou veio). Esse é o primeiro desfile da marca no evento e o público pôde ver na passarela referências a países como o Brasil, China, Japão, Peru... A decoração tinha até mesmo uma versão da Bolsa Refraction que brilhava no escuro. Acompanha o vídeo aí!



A constituição do homem moderno começou por volta do século XIII, época em que Dante Alighieri, (exemplo de homem multifacetado, que era escritor, poeta, político...), escreveu: “Meu país é o mundo todo”. Foi preciso que se passassem vários séculos para que uma mulher, Virginia Woolf, escrevesse: “como mulher eu não tenho país, como mulher meu país é o mundo todo.” E você, quanto tempo vai esperar para escrever a sua própria história, agora que demos a deixa? Navegar é preciso, viajar é preciso, viver também! E se você achou essa coleção tão instigante como a gente, aguarde as próximas publicações sobre a História da Melissa e muito mais.
Beijos, Suelen.



domingo, 23 de fevereiro de 2014

#ClubeMelissaNation - Coquetel de Lançamento : Arrisque-se! Viaje!

Ontem participamos do Coquetel de Lançamento da nova coleção Melissa Nation, este evento ocorreu em todas as lojas do Clube Melissa, e nós não pudemos deixar de fazer uma visita na loja de Uberlândia no Center Shopping para perceber como é a recepção dos clientes à uma nova coleção Melissa, e também conferir de perto as novas sandálias desta marca, que hoje se afirma no mercado sendo a sensação plástica entre crianças e mulheres mais experientes.
                                                                Loja Clube Melissa - Center Shopping Uberlândia                                

Fomos atendidos pela Letícia, gerente da loja, que nos recebeu com toda a atenção que os representantes da marca Melissa sabem oferecer, respondeu nossas dúvidas, buscou sandálias para experimentarmos e sempre observando nossas reações frente à esta coleção. Todos os vendedores realmente (e literalmente) vestem a Melissa, seja no pé ou na alma, não há um que não saiba detalhadamente sobre cada sandália e inclusive dê dicas sobre os diferentes estilos. A Melissa não apenas firmou-se no mercado como também preparou seus empregados buscando o diferencial que hoje em dia torna-se cada vez mais desejável pelos consumidores, a questão não é apenas comprar, é o bom atendimento, que inicia-se da boa recepção à uma proximidade com o cliente. O Clube Melissa oferece este atendimento de qualidade, tanto ao treinar seu contratado tanto ao escolher o perfil que adeque-se às lojas.
Desde já agradecemos a todos pela recepção atenciosa que nos ofereceram! 


Equipe Clube Melissa Center Shopping Uberlândia posando com Suelen Caldas. 

 Fomos conhecer de perto é a Melissa Nation, que pelo nome já podemos perceber uma proximidade com o evento mais comentado deste ano: A Copa do Mundo. Ao apresentar uma coleção que tem como base o conceito de amplitude das nações, e traz consigo esta ideia em tantos modelos de Melissas, cada uma possuindo referências diferentes além de uma gama de estilistas assinando uma coleção própria para a Marca.
Ao inspirar-se nos viajantes, a Melissa traz consigo a noção de mundo em diálogo, que nada mais é o que vivemos hoje. A viagem passa a estabelecer-se em diferentes âmbitos: pela tecnologia, pela mídia e, o que mais nos interessa: pela Moda.
O diálogo entre as tendências e a apropriação de características nacionais na moda internacional não passa de uma viagem. E a coleção Melissa Nation tem como objetivo proporcionar esta viagem, a qual o destino vai até seus pés em forma do mais estiloso plástico destes tempos da moda.
Ainda focando na noção de transitar entre os povos e nações e relacionar suas tendências, a Melissa lança este conceito não apenas com a sua visão, mas também partindo da visão de diferentes estilistas, como Irmãos Campana, Gareth Pugh, Karl Lagerfeld, Vivienne Westwood, Jason Wu e J. Maskrey. Trazer estes estilistas nesta coleção não apenas reafirma as intenções da Melissa como também traz uma nova cara para a Melissa: a cara da moda das grifes, aquelas que antes pareciam tão distantes hoje aproximam-se de consumidores que frequentam lojas de departamento. E a parceria destes estilistas com a Melissa faz renovar-se o perfil da marca, a aproximando deste mundo de grifes ao mesmo tempo que ela mantêm-se popular entre diferentes camadas da população.
Falando sobre a amplitude dos consumidores que a Melissa abrange, não podemos deixar de trazer o que mais nos surpreendeu (depois das sandálias) neste evento: as diferentes idades das apaixonadas e dos apaixonados em Melissa. Durante as horas que ficamos na loja pudemos perceber crianças, jovens, adultas e idosas escolhendo o seu par de Melissa. O que antes vinculava-se apenas às crianças e jovens, com a Melissa Aranha, hoje é democrático: todas e todos podem ter a sua Melissa.
Mãe e Filha adquirindo novas Melissas!


As amigas não podiam perder este evento





Esta fofurinha já escolheu a sua Melissa!


















Os modelos infantis e uma das mocinhas que participaram do evento e levaram para casa alguns modelos.


E as sandálias?!
Lindas, lindas, lindas, cada uma com seu estilo único e ainda sim transitando entre o conceito da coleção e as inovações no design que hoje observamos na moda. Não podíamos perder a oportunidade de experimentar e deixar claro o que todos já sabem: um bom sapato transforma qualquer produção.
A coleção, como já falamos, é extremamente ampla, e oferece opções a todos os gostos, desde as mais tradicionais até as adoram os sapatos conceitos. Entre os estilistas, pudemos perceber como a identidade do próprio mantém-se forte na coleção, relacionando-se em perfeita sintonia com o conceito desta.



Levando em consideração a amplitude de seu público, a Melissa pensa em todos os detalhes: desde a fórmula para que o cheirinho que identifica todos os sapatos Melissa perdure por mais tempo, até nos saltinhos de 1 cm, disfarçados pelos lindos desenhos das sapatilhas Ultra, que garantem um maior conforto e atendem as necessidades das idosas que não deixam de lado um look estiloso e confortável. E, pensando nas suas clientes antenadas nas tendências e na moda internacional, a parceria com os estilistas torna-se um grande atrativo como também diversifica ainda mais os modelos dos calçados Melissa. 
No Coquetel de lançamento no Center Shopping de Uberlândia, vimos de perto alguns desses modelos, 






















No momento de experimentar não pudemos deixar de fora o grande Karl Lagerfield. Suas coleções em parceria com a Melissa sempre trazem sapatos bem-humorados, e desta vez não foi diferente. Karl fez uma viagem sobre si mesmo, retratou nos modelos aquilo que o retrata: à cima a sandália com sua gravata, a baixo a sandália com o detalhe de sua luva. Estes modelos de Karl evidenciam como a moda relaciona-se ao arriscar-se, não é por menos que Lagerfield está na Chanel, onde o risco inicial tornou-se a elegância dos dias atuais.



 Suelen Caldas experimentando um modelo de Karl


 O modelo de Gareth Pug, assim como Karl, arrisca e traz às vistas a identidade do estilista, jovem e impetuoso, traz em suas obras formas delineadas, roupas esculturais, o que não foi diferente com esta sandália. Vai dizer que não tem um pouco de Lady Gaga nela, hein?


























Suelen Caldas e o modelo de Gareth Pug - a moda conceitual da Melissa

Enfim, este evento revigorou nossos ares e amores pela Melissa, uma marca inovadora, ampla e que nos faz, verdadeiramente, viajar com os vários estilos de seus sapatos. Não bastasse experimentarmos, adquiri uma
uma Melissa Nation só pra mim! Esta é do Jason Wu. A sua cor leve, e sua delicadeza nada mais são do que traços deste artista. Uma excelente aquisição, para um excelente dia!
 Minha nova Melissa <3

Suelen Caldas também adquiriu uma Melissa da coleção Nation, o modelo chama It, e pelo seu estilo, podemos perceber como seu nome já demonstra inclusive o seu sucesso pré-lançamento.


Suelen Caldas com sua Melissa It

Ainda ganhamos alguns mimos da equipe Clube Melissa Uberlândia! É muita fofura!
Agradecemos a todos os vendedores em especial a gerente Letícia e à representante das franquias de Uberlândia, Carla, por ter nos recebido! É sempre uma honra participar de eventos como este.
Você que ainda não visitou a loja, dê uma passadinha e leve-se nesta viagem que a Melissa nos transporta com a coleção Nation.

Quer saber mais sobre a história da Melissa e outras cositas mais? Aguarde cenas dos próximos capítulos!


Paula Goulart.







Para mais fotos deste dia, clique: Fotos: Paula Goulart

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

She Bop: back to 80's, mais uma vez!





Eis que alguns dias depois da publicação “Os anos 1980: de Cyndi Lauper à Jennifer Beals”, olha só a peça que encontrei em uma loja de departamento. E já que a deixa permitiu, voltamos à musa rebelde dos anos 80. Cynthia Ann Stephanie Lauper-Thorton, nascida em 1953, estreou no cenário musical justamente nos anos 80. Cyndi além de ser conhecida pela voz – claro – é sempre lembrada por sua constante troca de visual. Lauper revolucionou o mundo feminino dos anos 80. Por quê? Por que ela foi a primeira mulher a emplacar quatro hits de um mesmo cd nas cinco mais das paradas de sucesso? Também! E também porque Cyndi, sempre com seu estilo irreverente, rebelde mas também meigo (basta lembrarmos de TrueColors), além de revolucionar o mundo pop, passando por diversos gêneros musicais, desde o blues ao dance, também incorporou em seu próprio estilo diversas referências, do vintage ao punk. Além de ícone musical, ela se tornou, para muitas garotas, referência quanto a maneira de se vestir. Recentemente, em 2012, Cyndi Lauper participou da campanha da Uniqlo que lançava calças color block. E o envolvimento da cantora no mundo da moda também é composto por alguns flash’s em que estilistas escolhidos para seu looks nas entregas de prêmio são sempre evidenciados, (como no Grammy desse ano, que a cantora vestia Alexander McQueen). Mas não nos detenhamos nisso, a atualidade de Cindy Lauper não para por aí. A cantora hoje também de destaca por ser ativista gay e apoiar a True Colors Fund.

Antes das fotos, mais um pouco de trilha sonora 80's




"We-hell-I see them every night in tight blue jeans
In the pages of a blue boy magazine
Hey I've been thinking of a new sensation
I'm picking up good vibration
Oop--she bop"














fotos: Paula Goulart



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os anos 1980: de Cyndi Lauper à Jennifer Beals



Durante os anos 80  foi fundada a MTV, canal que seria responsável por exibir vídeo-clipes e influenciar cultura e moda de várias gerações. É nesse momento também que Cyndi Lauper gravava uma versão para a música de Robert Hazard, Gilrs Just Wanna Have Fun, o hit que estourou e embalou paradas de sucesso por longos anos. Basta olhar o clipe e nos vem de imediato umas das primeiras questões colocadas pela Moda dos anos 1980: vestir-se espalhafatosamente. 



O hit iniciaria uma longa década marcada por cores, estampas de animais, bolinhas, etc. mas também a década que em contraposição às roupas largas dos anos 60 e 70 inauguraria a “primeira geração saúde” com a valorização da ginástica aeróbica e nesse sentido das roupas justas, sapatilhas e polainas.
Dificíl não lembrar, dessa forma, de outro grande clássico musical que marcou a era, o filme Flashdance, estrelado por Jennifer Beals - que na época tinha 20 anos -, com direção de Adrien Lyne – que gravaria uma versão de Lolita em 1997-  retrata a história de uma menina de classe baixa que busca realizar o sonho de ser bailarina. 



A capa do filme indica um pouco da liberdade proposta pela época, com a blusa cortada e certo tom de sensualidade. Enquanto Cindy Lauper cantava que as garotas só queriam se divertir, também em referência à liberdade a protagonista de flashdance ia em busca de seus sonhos, trabalhando como operária durante o dia e dançarina à noite.



No decorrer do filme a camiseta rasgada, assim como a calça, é recorrente, embora possa salientar a classe social da protagonista, nem por isso perde o tom de sensualidade, e será grandemente utilizada pelas pessoas ao longo dos anos. Quando não está compondo os trajes largos a aspirante a dançarina de sucesso encontra-se com seus trajes de dança, treinando. A busca pelo sonho enfatizada no filme.




São esses trajes – de dança e ginástica -, dentre outros, que se destacarão ao longo da década. O traje aeróbico de Lycra também usado pela modelo Christie Brinkley, que escreveu um livro sobre saúde e beleza, representou uma tendência do mercado de roupas esportivas. Não nos esquecendo das leggings e das polainas!



O apelo inicial a música da Cyndi Lauper foi por representar um primeiro momento da Moda anos 80, com a liberdade em se vestir, a “espalhafatosidade” do cabelo e todo o resto, um momento que não foi perdido ao longo da década, mas que conviveu com seu extremo oposto, a valorização da magreza e das roupas justas, quiçá sob o ícone Jennifer Beals. A escolha dessas duas imagens – da cantora e da atriz –, fez-se porque música e cinema eram grandes formas de apreensão de público da época, mas poderia se escolher para tratar da temática tantas outras que igualmente despertaram “apelo emocional” dos ouvintes, telespectadores e pessoas que acompanham a moda.
 As roupas de ginástica, mais enfatizadas nessa publicação, são apenas uma face da moda dos anos 80. Retomada aqui porque na nova era das academias não é o caso de se espantar se de repente fizéssemos – se já não está sendo feito - um back to 80!
Como sabemos, a moda circular, apropria-se sempre de peças e itens de outras gerações, e mesmo  os anos 80 – criticado por muitos – é vez ou outra reapropriado.
Suelen Caldas





fotos: Paula Goulart