Um blog de Moda e História

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

“Hey mãe eu tenho um blog, durante muito tempo isso foi que eu queria ter”

A música “Terra de Gigantes” dos Engenheiros do Hawai, harmoniza muito bem com a discussão aqui proposta; a importância de ter um blog de moda, e não um blog qualquer, uma página virtual que torne a garota por de trás da tela famosa, criadora de tendências e melhor, que desperte a inveja/desejo em milhões de garotas pelo seu estilo de vida diferenciado da maioria e, esse diferencial tem muito haver com a quantia de reais que garotas assim ganham. Mas esse sonho é recente, para ser mais exata com menos de dez anos.
O primeiro blog que mostrava o look dia- a –dia foi da escritora, publicitária e colunista Cris Guerra, em meados de 2007 (http://www.crisguerra.com.br/). Logo o que parecia abstração, se tornou uma ideia criativa, garotas que antes tinham blogs para comentar da vida de celebridades, começaram a se tornar as próprias celebridades de sua página, temos como exemplo Camila Coutinho (http://www.garotasestupidas.com/) e Lia Camargo (http://www.justlia.com.br/).
(http://www.diamondmall.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/06/Cris-Guerra.jpg)
(http://blogs.diariodepernambuco.com.br/alvorocadas/wp-content/uploads/2013/08/29/livro-Moda-Intuitiva-cris-guerra.jpg)
(http://1.bp.blogspot.com/_jryYw0cMDqY/TPg44M9vIKI/AAAAAAAACKQ/xUblJ_M-xYc/s640/camila+coutinho+blog1.jpg)
(https://lh3.googleusercontent.com/-J5bPJH1kXc4/TXemqnvxRTI/AAAAAAAAAm8/kQ5AAxZA1UU/s640/1li.JPG)

Essas meninas tornaram o blog seu diário virtual, e mesmo que isso soe banal, o impacto real é enorme,aos poucos, garotas e mais garotas começaram a querer um closet enorme, sair de casa esbanjando tendências, ser reconhecida no mundo da moda. O maior exemplo, é a blogueira Camila Coutinho, no qual seu próprio blog cobriu seu casamento, e a cada postagem sobre o tema, víamos nos comentários pessoas implorando para ser convidadas ou desejando que um dia tivesse a mesma experiência. 
Antes o que era novidade, hoje é a maior parte do conteúdo da internet, mesmo assim foi só a minoria que deu certo, construindo assim uma “elite blogueira”, essa elite não se constitui só por fama, mas também por seu status social, não nos enganamos, boa parte dessas garotas fazem parte de uma elite econômica (distribuídas em diversas partes do Brasil e até mesmo fora dele), essa boa condição econômica ajudaram e muito na promoção do site e também facilitou o contato com as principais marcas, gerando assim um lucrativo negócio, o da publicidade.
Por falar em publicidade, esta é lado mais charmoso de toda a história, imagine só você, caro leitor, ganhando muito dinheiro para falar que usa um creme ou que usou tal marca de sapato, roupa ou qualquer outro acessório e para isso só precisa de uma publicação. Não é intenção dessa postagem taxar essa atividade como ruim ou boa, dizer que as blogueiras são espertas e os leitores fantoches, acredito que a discussão esta muito além disso, esta no jogo imaginário que isso implica, ou seja, ao mesmo tempo em que sabemos da existência do abismo que divide nós dessas blogueiras, quando compramos qualquer objeto no qual elas fazem propaganda nos sentimos, mesmo que por um segundo, iguais a elas. E esse sentimento faz toda a diferença, cria um laço que não existe. A grande sacada é essa, a empresa faz com que nós acreditemos que a menina bonita usa aquela marca, compramos, mas a verdade é que como já disse, essas garotas são de outro mundo, outra realidade, elas nunca usariam isso no seu dia – a – dia, e quando alguém rompe com esse sistema e abre a caixa de Pandora, as coisas ficam ruins para ambos os lados.
Em Uberlândia, temos Thássia Naves (www.blogdathassia.com.br) que já foi nomeada, pela revista Glamour, como influente da moda brasileira(recentemente foi a uma prova de roupa junto com a modelo Cara Delvevingne. Fiquei chocada!). Mas já teve problemas com essa publicidade, em 2012 ela foi advertida pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por fazer publicidade velada de produtos de beleza. Atualmente, a blogueira continua fazendo postagens publicitárias, mas informando ao público. 
Esse lance de publicidade é tão complicado e denso, que o blog Shame on you, blogueira (http://blogueirashame.com.br/ ) se tornou o Batman do mundo fashion- virtual, vigiando de perto essa elite e dando tom de realidade aquela frase antiga : “... a burguesia fede, mas tem dinheiro para comprar perfume.”

LookBook: a “Igualdade” da moda
Essa ânsia de ser visto e admirado por outros desconhecidos ficou tão grande, que em meados de 2008, foi criado o site LookBook (http://lookbook.nu/), que é basicamente uma rede de pessoas que postam seu visual diariamente, os mais populares são os que possuem mais “hypes”. O site obteve um sucesso tão grande que se tornou uma vitrine da moda usual,diversas marcas usam disso também para promover suas peças. Pode parecer banal quando descrevo assim, mas é fascinante a ideia de todos poderem postar seus looks e ganhar elogios de desconhecidos e também apreciar uma moda que parece muito mais próxima de nós.

(Fotos: Paula Goulart)

Se numa publicação passada falei sobre a passagem da moda da passarela para as lojas de departamento, agora faço o mesmo caminho, mas referenciando os blogs e como estão intimamente ligados com comercio milionário que atinge o mesmo tanto ou mais de pessoas que gostam de moda, e melhor de um modo tão sutil que não sentimos. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Promessas do cinema: a cinebiografia de Yves Saint Laurent

2014 chegou......e esperamos não só por novas tendências, novos bafões, novos desfiles, mas também por novos filmes. E por falar em cinema, já saiu o novo filme sobre a vida do magnifico estilista Yves Saint Laurent. Confira:


Dirigido por Jail Lespert e interpretado pelo jovem e desconhecido ator francês Pierre Niney (demasiadamente parecido com o estilista), narra não apenas seu relacionamento conturbado com o empresário Pierre Bergé, mas também a sua ascenção nos desfiles parisienses e no mundo da moda. Desde sexta-feira é possível assistir ao filme nos principais cinemas do país. Muitas revistas especializadas sobre crítica de cinema concluíram que o longa metragem é uma grata surpresa.



A vida de Saint Laurent não é desconhecida pelo público. A escritora Marie-Dominique Leliévre escreveu a biografia do estilista em "Saint Laurent: A Arte da Elegância"(Larousse do Brasil), que revela as suas facetas enquanto costureiro. A capa do livro leva as cores e os quadrados geométricos do icônico vestido inspirado no quadro do pintor Piet Mondrian, intitulado de "Tabuleiro com cores claras"


Saint Laurent foi um estilista que mesclou a moda com a arte. E para quem além disso tudo aprecia cinema, o filme promete ser imperdível.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Especial de verão – de pijamas à minúsculos biquínis (ou monoquínis)



1920 -1930

A euforia no pós Primeira Guerra Mundial também foi evidenciada pela prática de esportes, o que gerou, concomitantemente, uma nova inserção do mundo da moda. O esporte, “acessível” a todos, cunhou o lugar responsável pelo incentivo à boa forma física e ao regime de exercícios. Nos anos 1920 surgem as primeiras roupas desenhadas especificamente para o esporte, tendo como principal expoente Jean Patou (1887-1936). Inaugurava-se a nudez controlada.  
Jean Patou, “libertou as mulheres da constrição de roupas esportivas em múltiplas camadas e introduziu o conceito de ‘nudez’ pública na forma de vestidos sem mangas usados com as pernas nuas.” (FOOG, Marnie. Fashion: The Wholy Story / Tudo sobre Moda. Rio de Janeiro: Sextante, 201. P.252)
Para Manie Foog, já nos anos 1930 ganharia espaço os trajes de banho (também ligados em grande medida às práticas esportivas), com decotes em V, laços e amarrações, permitiam uma maior circulação de fotos com “nudez”.  Posteriormente utilizados em diferentes momentos de lazer os pijamas de praia viraram tendência, e tiveram grande influência da moda Chanel. Ombros à mostra se tornaram o sex appeal do momento.





“À medida que mais mulheres começavam a fazer dietas e exercícios, elas podiam usar modelos mais desestruturados, cortados em tecidos esvoaçantes como a meia-malha para os trajes diurnos práticos e o crepe da china para os pijamas casuais noturnos” (FOOG, Marnie. Fashion: The Wholy Story / Tudo sobre Moda. Rio de Janeiro: Sextante, 201. P.257)




A indústria da malha foi responsável durante anos pela fabricação de trajes de banho, e, cada vez mais, tornou-se visível nas propagandas das grandes marcas a associação à boa forma e a um estilo de vida despojado e alegre. Fica fácil perceber isso pela valorização das curvas e a diferenciada cartela de cores que agora compunham os trajes de banho, movimento que recebeu grande destaque com as pin-ups. Na imagem acima podemos observar os decotes em V, os macacões de praia feitos com tecido que aparentam frescor e ainda marcante influência do estilo marinheiro. Se por um lado temos os shorts justos estilo pin-up também a indústria da moda apresentava o polo oposto com calças e macacões largos e leves. Pouco depois veríamos o biquíni, ainda composto por alguns desses elementos (como a variação de cores, o estilo marinheiro, etc), só que menores...





O biquíni, utilizado e mostrado nas pinturas de  pin-ups, também ganhou as telas do cinema. Não é difícil se lembrar de alguma cenas em que a bela Brigitte Bardot, como assinala Fogg, aparecia exibindo um.




1940: do sutiã-cone  ao biquíni

O sutiã-cone bastante evidenciado nos anos 1940 em diversas propagandas representaria também um primeiro passo para a nudez “aceita e divulgada”. Ainda que representado em tons brancos virginais era um item de extrema sensualidade do guarda-roupa feminino. ((re)evidenciado pela cantora pop Madonna pouco tempo atrás).




Somente em 1947 ocorreu a invenção, de fato, do biquíni, por Louis Réard. Não recebido sem inquietação devido a exposição de mais partes do corpo, inclusive da barriga inteira à mostra, já que o que se via até então era apenas o estilo “estômago de fora”. No novo modelo pouco era escondido, as coxas ficaram totalmente à mostra assim como a parte superior do busto. Não importava o modelo, se com alcinhas ou sem, parecia que em termos de exposição do corpo nas passarelas e nos momentos de lazer, tudo já havia sido feito. Até que em 1964 surge o monoquíni.




1964

O primeiro monoquíni surgiu em 1962, criado pelo estilista Rudi Gernreich, e embora tenha sido feito para ser usado por homens e mulheres podemos identificá-lo como primeiro grito de liberdade em relação ao topless. Ainda que tenha causado grande polêmica, especialmente entre os religiosos, atingiu um elevado número de vendas e popularizou-se durante muito tempo.


 Na foto temos a famosa modelo capa do monoquíni, Peggy Moffitt.

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Se outrora a atração era provocada por ombros à mostra ou um decote em V (bem distante do que vemos hoje por aí, vale lembrar), atualmente o que vemos nos clubes e praias são minúsculos biquínis talvez capazes de causar mais polêmicas do que o monoquíni de 1964, se levássemos uma foto das praias brasileiras para o passado. Com diversas cores, modelos, tamanhos, combinações e descombinações, não fica difícil perder o bom senso e utilizar uma peça não condizente com seu corpo ou idade. Sim, eu acredito que a escolha das peças deve levar em consideração esses quesitos básicos. Mas, a moda (ou falta dela) dos biquínis atuais será assunto de outro post. No mais, desejamos um ótimo (e com bom senso na escolha de biquínis) Verão!


Welcome summer and holiday!