Um blog de Moda e História

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

“...Chanel não sai de moda.”

"Eu criei um estilo para um mundo inteiro.
Vê-se em todas as lojas "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda."
Coco Chanel
A mulher

A história a seguir pode parecer um desses filmes em que a mocinha consegue dinheiro, fama e o amor de vários homens diferentes e quando era só desejo, este era cheio de luxúria e poder, mas esta foi a vida de uma francesa que antes de tudo isso atendia pelo nome de Gabrielle Bonheur Chanel, que com a perda da mãe e a falta de tempo do pai comerciante fugiu do colégio interno e foi para Paris, no primeiro momento seu sonho era ser bailarina ou trabalhar como atriz, o nome “Coco”foi usado como um nome artístico. Conciliando algumas apresentações com o trabalho de costureira, a jovem chamou a atenção de um milionário criador de cavalos Etienne Balsam, tornando-se sua amante.

Balsam a apresenta a um novo mundo regado de luxo, o que mais tarde tornou uma faca de dois gumes para Chanel, que por um lado gostava de viver com toda essa opulência, mas em relação ao estilo, a jovem achava todos aqueles vestidos, colares enormes e chapéus cheios de enfeites completamente desnecessários.
Em meio ao mundo que seu amante a expôs, estava (talvez) o grande amor de sua vida, Arthur Capel, este homem a ajudou a abrir sua primeira loja de chapéus, acessório este que em pouco tempo fez, literalmente,  a cabeça das mulheres.Quando sua vida parecia resolvida, Coco já conseguira expandir os negócios e tinha ao seu lado a companhia do amado Capel, este morre num acidente de carro.
Podemos conferir esta fase da vida da estilista no filme “Coco Antes de Chanel” (2009, Warner Bros) que traz Audrey Tautou interpretando uma Coco Chanel com gênio forte  e que se sentia incomodada com os vestidos cheios de camadas (e apertos) que as mulheres usavam, mas ao mesmo tempo, uma mulher que amava e era amada por Capel.


Vale conferir o filme para perceber melhor o debate estético que Chanel estava inserida, transpondo itens tidos como masculinos para a moda feminina, sem que a mulher perdesse sua essência delicada.


Mesmo vivendo no luto, Chanel nunca deixou de se relacionar com a classe intelectual da época, entre eles o coreógrafo  Diaghilev, a bailarina Isadora Duncan, os artistas Jean Cocteau, Picasso, Salvador Dalí e o duque de Westminster (com quem passou algumas noites junto), este era conhecido de Igor Stravinski,que se apaixona pela estilista, este caso deve ter sido um dos mais picantes da listinha de Chanel, pois imaginem só quando duas figuras que viveram no limite da arte e da vida, resolvem  se entregar ao prazer.


Coco Chanel & Igor Stravinsky “ (2009, Imovision) retrata, especificamente, este romance da estilista, todo o figurino do filme são da própria marca. No longa, a atriz Anna Mouglalis (que já foi a cara da Chanel anos atrás), interpreta uma Chanel na linha tênue entre sedução e mistério, com certeza, uma mulher madura que ganhou da vida não só alegrias, no papel de Stravinski temos Mads Mikkelsen (lindo, maravilhoso,sexy...ok parei) que consegue transpor toda a genialidade e até mesmo o desejo latente que sentia pela francesa.

(não querendo aparecer tarada, mas as cenas entre os dois pega fogo!)


 

Quando veio a Segunda Guerra Mundial, Chanel resolveu fechar suas lojas, pois segundo ela aquele momento não era para a moda, houve alguns boatos que a estilista esteve mais envolvida na guerra do que pensamos, para acompanhar um pouco esta história temos o livro “Dormindo com o Inimigo: A Guerra Secreta de Coco Chanel” (VAUGHAN, Hal. Companhia das Letras).  Não li o livro, mas o pouco que li percebi que fala também  sobre esse período pré guerra e  como a francesa tinha problemas com a solidão.

 

Quando a marca voltou à ativa, em 1954, seu desfile não agradou muito os parisienses, no entanto os americanos ficaram encantados com a coleção, tornando-se assim seus maiores compradores. No ano de 1971,  Gabrielle Bonheur Chanel faleceu.

 


A Marca

 

Praticamente, Coco Chanel libertou as mulheres, tirou delas o “direito” de usarem babados, vestidos com diversas camadas etc. O grande triunfo de Chanel foi a inserção de novas peças no vestuário feminino, uns dos itens foi a calça para as mulheres, calças acinturadas que começaram a ser usadas em diversas ocasiões pelas mulheres. Uma grande inspiração da estilista foi a roupa dos marinheiros, primeiro as listras depois as blusas com gola rolês.

 

Outra referencia é o casaco mais curto preto de tweed, sem golas;


 Saias plissadas e mais acinturadas, vestidos com cortes retos e em três cores: preto, vermelho e beje, e por falando em cores o preto e branco se tornou uma referência de estilo, os sapatos com saltos baixos caíram no gosto das mulheres.

 

Depois de sua morte, quem praticamente assumiu a marca foi Karl Lagerfeld, um alemão que até hoje consegue dar um tom moderno para as peças, mas sem perder o referencial de Chanel. Neste ano, o estilista organizou um livro chamado “The Little Black Jacket” com várias reinterpretações da jaqueta preta de tweed desenhada por Coco, este evento originou uma exposição que percorreu o mundo e que no meio do ano chegou a São Paulo.

Na última Paris Fashion Week, Lagerfeld decorou o ambiente com ícones da marca, como o próprio símbolo, as bolsas e o perfume.

 

O último desfile na marca foi no Texas, no qual Lagerfeld montou um cenário de faroeste, esse clima de bang bang teve muitas influencias para a sua coleção, misturando muitos peças com penas, botas , chapéus...



Esse evento serviu também para que o estilista mostrasse o novo rosto da Chanel, a atriz Kristen Stewart (que eu acho que possui um corpo até bonitinho, mas a cara é feia) sua antecessora a também atriz Keira Knightley, possuía um estilo mais parecido com a marca. Falando nas musas da Chanel, Karl já comprou muitas brigas por dizer mal de algumas famosas que possui um corpo um pouco diferente do padrão das passarelas, um dos alvos de crítica foi a cantora Adele, que depois acabou ganhando duas coleções completas de bolsas e acessórios da Chanel como pedido de desculpa do estilista.

(http://www.garotasestupidas.com/wp-content/uploads/2013/12/chanel-gente1.jpg)

 


Como percebemos, Gabrielle morreu nos anos 70, sofrendo de solidão ou não, ela libertou a mulher de um estilo de roupas nada confortáveis e mostrou que simples é elegante, deste modo Coco Chanel nunca morreu, permanece viva em qualquer jovem que tenha a audácia de misturar a moda masculina e feminina e continuar sendo elegante.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

The heroin chic: Kate Moss

O mundo da moda está borbulhante!!! Tudo isso por ter a top model Kate Moss estampada em uma revista. Vogue, Cosmopolitan, Elle? Não! Ela é capa da Playboy em uma edição comemorativa de 60 anos da revista. Dá só uma olhada:
playboy-kate-moss-capa

Kate é a mais nova coelhinha, fugindo dos estereótipos ditados pela revista durante todos esses anos, ávidos por loiras platinadas e muito silicone. Aos 39 anos, mãe de uma garotinha, a modelo continua com o mesmo corpo que lhe deu fama. Quem não se lembra de Kate esquálida na campanha da Calvin Klein? Imagem mais que icônica da década de 90:

                                     

Muitas polêmicas fizeram parte da vida da modelo: seu vício em drogas, a magreza excessiva e os relacionamentos conturbados são algums exemplos que podemos elencar. Porém, é uma das modelos mais bem pagas e reconhecidas nesse ramo. Redefiniu o estilo das jovens nos anos 90 (seja para o bem ou para o mal). A edição chega às bancas no próximo mês. Mas dá para conferir algumas fotos deste ensaio sensacional:
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domingo, 15 de dezembro de 2013

A Moda Démodé: a valorização dos brechós

O surgimento dos brechós, no século XIX, traz à tona a relação consumo-moda "nivelada por baixo", bazares e brechós que comercializavam roupas usadas eram frequentados pelas classes baixas, pessoas que não possuíam renda para comprar roupas novas. Usar vestimentas antigas e usadas era sinal de pobreza e falta de "senso de moda".
Eis que alguma mocinha por aí, na manhã do terceiro domingo do mês, encontrou um vestido em algum brechó, desses escondidos em becos que nunca pararíamos para olhar se não fosse aquele vento que bateu e fez voar nossos papéis pela rua. Este vestido chamou atenção de todas as outras mocinhas da cidade, que passaram dias procurando o tal vestido pelas lojas, e descobriram que nunca poderiam tê-lo, pois era de um brechó. Isso mesmo! De um brechó.

O brechó passa a ser o "lugar da exclusividade", afinal, poucas são as vezes que encontramos nas araras duas peças iguais. Além desta questão, observamos também estes estabelecimentos virando febre nos anos 70, justamente, anos os quais várias mocinhas e mocinhos decidiram opor-se à sociedade da época, e, digam-me, qual a maneira mais explícita de expor suas contrariedades? Pela aparência. A aparência destes jovens gritava em defesa da antimoda, defendiam o démodé. A quebra com a cultura de moda, justamente esta que carregava em si os costumes da época, tidos por estes jovens como conservadores e repressores.

E não é que virou moda?

Hoje a busca por peças antigas, algumas agora classificadas como vintages e outras como retrôs, espelha-se na busca por moda! Com a renovação de antigas tendências, peças de épocas passadas ganham um valor precioso, que podem chegar aos níveis de peças novas, de estilistas famosos, ou, ainda, fazerem mocinhas que não acham interessante gastar 100 reais em uma regata lisa, adquirirem peças destes mesmos estilistas famosos por uma bagatela irresistível!
Os brechós, hoje, atendem tanto os colecionadores e aficionados por moda, como aqueles que desejam preços justos. Roupas usadas viraram símbolo de singularidade, estilo (próprio ou baseado em tendências atuais) e economia. Tanto que até no espaço musical os brechós ganharam visibilidade positiva, como neste clipe engraçadíssimo de Macklemore e Ryan Lewis:
Clique AQUI veja a letra.

Com isto, nós decidimos bisbilhotar entre as araras de dois eventos-brechós que aconteceram ontem (sábado) por aqui. Visitamos dois eventos que possuem características bem peculiares e nos dão exemplos da diversificação dos brechós.

O primeiro que visitamos foi o Le Brechó Bardot, realizado pela galera simpaticíssima da loja e galeria Le Circule Galerie Concept. Fomos recebidas pelo Rafael, que gentilmente nos guiou até o ambiente do Brechó.


 Fachada Le Circule Galerie Concept - Foto


É a primeira vez que este evento ocorre na loja e galeria, as roupas à venda foram conseguidas a partir de compra de lote direto das lojas, produtos da própria loja em promoção e doação de alguns parceiros. O evento ocorreu de quinta (12/12) até sábado (14/12), mas Rafael nos adiantou que como a próxima exposição no espaço será daqui alguns meses, eles pretendem deixar o Brechó por lá, então caso você não tenha passado na galeria, vale a pena conferir!
A organização do brechó é de dar inveja a qualquer guarda-roupa desarrumado, além de um espaço lindo, nas araras encontramos peças em excelente estado e de ótimo gosto enquanto na mesa foram colocados colares, brincos, pulseiras e lenços. Os sapatos são de fazer o coração bater mais forte!






Já o Bazar Naftalina Fina não possuía este trato tão conceitual quanto o Le Brechó Bardot, o que não diminuiu a quantidade de achados e excelentes peças! O evento foi uma parceria entre  Coletivo Garagem, Dalaii Store e Cansei de ser Fashion. Lívia Carneiro, que nos apresentou o espaço e as ideias que o compunham, disse que as roupas utilizadas para o evento foram conseguidas de uma maneira mais informal, se assim podemos dizer, ou pertenceram as três lindas organizadoras que estavam à toda durante o Bazar, ou vieram das lojas aqui apresentadas.
As roupas estavam organizadas em stands no espaço do restaurante Bodega do Bacco, que com sua decoração contribuíram para a beleza e para o sucesso do evento. 
Os stands estavam cheios de moças que ao encontrar suas peças preferidas logo já seguravam, para não correr o risco de outra pessoa levar. Os preços eram extremamente justos e foi impossível resistir à tantas boas opções. 
O bazar acontecerá novamente no dia 21 de Dezembro, sábado, dê uma olhada no evento aqui.
Foto: Paula Goulart 

 Foto: Paula Goulart

 Foto: Paula Goulart
 Foto: Paula Goulart

Grace Campos adquiriu um lindo chapéu, desses que transformam até uma havaianas azul com short largado e camisetinha em um look diferenciado!

Como prova de que as roupas fora de moda voltam à moda, essa blusinha que a Suelen está usando, era de sua mãe,  nos idos dos anos 90. Bem oportuna pra a moda azulejo português. Uma boa composição para a visita à um brechó.

Foto: Paula Goulart / Suelen: lookbook

Esta diferença de conceito entre os eventos que participamos só contribui mais ainda para a cidade, e faz das mocinhas uberlandenses mais felizes com tantas boas opções e achados para compor seu guarda-roupa.
Assim pudemos ver como a versatilidade que os brechós ganharam em nossos tempos e em nossa cidade nos auxilia em buscar opções criativas e econômicas em busca da individualidade e do estilo! E o mais interessante, os eventos não eram muito distantes um do outro, o que tornou ainda mais fácil curtir os dois!

O mercado da moda abriu-se aos brechós e vice-e-versa, quem ganha são os consumidores e consumidoras que além de encontrar peças únicas e em bom estado, podem trocar suas roupas que já não saem do armário por outras que o agrade mais!

Agradecemos aos organizadores de cada evento pela atenção e gentileza em nos receber!
Para mais fotos deste dia feliz clique aqui.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Essa "coisa" chamada moda que acaba "coisando" a gente

O filme Diabo Veste Prada (Fox 2000 Pictures , 2006) nos apresenta dois universos paralelos, primeiro conhecemos Andy Sachs uma moça recém formada em Jornalismo que procura, ansiosamente, o primeiro emprego, deste modo é chamada para uma entrevista numa das revistas de moda mais influentes do mundo, a Runaway Magazine . É preciso ressaltar que Andy não tem um bom relacionamento com a moda, pois ela vê o culto pela moda como besteira ou até mesmo frescura (Quem nunca conheceu uma Andy que acha que o jeito de se vestir não implica em nada, que atire a primeira pedra)
O choque entre esses dois mundos é imediato, Andy acha todo esse glamour desnecessário, acha patético aquelas mulheres serem tão magras e andarem sempre com saltos altos e tão bem arrumadas. Para piorar a situação, Andy é contratada como secretária da diretora da revista, a implacável/temida (e chic) Miranda Priestly.

A estratégia de Andy é passar um ano no emprego para poder ganhar visibilidade no mercado editorial, e lógico não se converter numa "Clake's" ( nome que a protagonista inventou para as moças que lá trabalham). Em determinado momento do filme, a secretária esta acompanhando uma pré produção de um ensaio fotográfico, ao decorrer da montagem de figurino, a protagonista assiste a dúvida e o sofrimento de uma das produtoras que tem dois cintos azuis na mão e não sabe qual usá-lo ( Andy dá uma risada, soltando toda a sua ironia, já que para ela os dois cintos eram azuis e só), Miranda a olha dos pés a cabeça e diz : (para piorar Andy esta usando um suéter azul)

Miranda – Algo engraçado?
Andy – Não, nada. É que para mim estes dois cintos são iguais. Sabe, eu ainda estou aprendendo sobre esta... "coisa".
Miranda – Esta “coisa”? Ah, entendi. Você acha que isso não tem nada a ver com você. Você abre o seu guarda-roupa e pega, sei lá, um suéter azul todo embolado porque você está tentando dizer ao mundo que você é séria demais para se preocupar com o que vestir. Mas o que você não sabe é  que esse suéter não é somente azul. Não é turquesa. É cerúleos. E você também é cega para o fato de que, em 2002, Oscar de la Renta fez uma coleção com vestidos somente nesse tom. E eu acho que foi Yves Saint Laurent, não foi? Que criou jaquetas militares em cerúleos. Eu acho que precisamos de uma jaqueta aqui. Então o cerúleos começou a aparecer nas coleções de muitos estilistas. E logo chegou às lojas de departamentos. E acabou como um item de liquidação nessas lojinhas de beira de esquina. E foi assim que chegou a você. Sem dúvida, esse azul representa milhões de dólares em incontáveis empregos. E é meio engraçado como você acha que fez uma escolha que te exclui da indústria da moda, quando, na verdade, você está usando um suéter que foi selecionado para você pelas pessoas nesta sala entre uma pilha de “coisas”.
( O Diabo Veste Prada, Fox 2000 Pictures, 2006. 23 min. e  12 seg. a 24 min. e 25 seg.)

Esse trecho é essencial para entendermos o caminho que as roupas ou as inspirações fazem da passarela aos consumidores e também para compreendermos como nós , querendo ou não, estamos englobados nessa indústria da moda que gasta milhões, mas arrecada bilhões.
A loja de departamento surge como conseqüência da Revolução Industrial, essas lojas não transformam só a produção de massa, mas também no modo de consumir e a maneira como as pessoas começam a se relacionar com aquele tipo de mercadoria . Segundo Rocha e Amaral,

A loja de departamentos esteve, desde seus primórdios, alicerçada na
força da imagem. Nesse sentido, podemos pensá-la como espaço físico,real, concreto, local de trocas de fluxos e de objetos, responsável por reformular por completo as representações do comércio e o lugar de quem compra. Ela vai se desenvolver para vender os novos padrões de beleza e sucesso e, para tanto, deve construir a sua própria imagem. Avançando essa idéia, podemos relacionar a configuração da instituição loja de departamentos com a criação e o treinamento desse novo sujeito/observador/ consumidor. Isso não só pela própria natureza do seu formato funcional, pelo vínculo com a imagem, pelas características disciplinadoras,mas também pela noção de prazer e entretenimento, que passa a ser instaurada e associada à experiência do consumo. Formam-se, assim,
as posições que iriam povoar o ambiente de consumo na modernidade:
controle e prazer.(ROCHA, Everardo; AMARAL, Maria. Consumo e entretenimento: a loja de departamento como espaço de sociabilidade (1830 - 1930).  Comunicação, Mídia e Consumo, vol. n.17. nov. 2009, pag. 150.)


Com o crescimento dessas lojas, as polêmicas foram gerando, principalmente sobre como é feita a produção das peças, muitos acusam a falta de acabamento ou mesmo os tecidos de má qualidade. Mas o grande trunfo das lojas de departamento é o imaginário, visto que essas lojas dão ao consumidor a ilusão que estão vestindo roupas que aparentam ser de marca, dando a pessoa um requinte ao estilo e até mesmo uma ideia de status.
Atualmente, as lojas de departamento é detentora da maior parte dos consumidores de vestuário no Brasil, assim elas precisam abarcar o maior número de estilos de roupas, em uma loja vemos moda para a noite, dia a dia, mulher moderna, grávidas e assim por diante. Cada vez mais, essas lojas precisam dessas versatilidades, pois estamos numa época em que podemos acompanhar de perto as tendências das passarelas, o público se torna mais exigente, as lojas de departamento são obrigadas a oferecer requinte, qualidade e o mais impossível, exclusividade, a saída foi as parcerias das principais lojas de departamento do país com grandes marcas ou estilistas ( o que vem acontecendo com muita freqüência). O que percebemos aqui é que a técnica de propaganda não mudou muito, pois agora temos algumas peças que dão alusão que são exclusivas, mas na verdade existem milhares de roupas iguais vendidas em milhares de lojas de departamento.
Recentemente, a Loja Riachuelo foi a primeira a quebrar o paradigma entre o luxuoso e o popular, esteticamente e concretamente, uma vez que construiu uma de suas unidades na rua Oscar Freire em São Paulo( a rua é dita como luxuosa, pois só havia lojas de marcas lá) para dar mais repercussão a inauguração, a loja também criou o "Riachuelo Fashion Five", no qual fez parceria com diversos estilistas e personalidades da moda, tais como Helô Rocha, Dudu Bertholini, as it girls Camila Coutinho e Thássia Naves.

Aqui em Uberlândia, a coleção chegou ( não acredito em milagres e sim na força de Thassinha e sua rede de relações) e por incrível que apareça a sua coleção foi uma das mais bonitas, (principalmente o vestido) só que esgotou rápido. Na loja do shopping possui algumas peças do estilista Robert Forrest, Helô Rocha e Dudu Bertholini e também os shorts da coleção da Camila Coutinho.

Por mais que tenha sido uma reflexão rápida sobre um fenômeno que não para de crescer e que possuiu milhares de implicações para pensarmos mais sobre, o propósito desse texto era mostrar um pouco o movimento das lojas de departamento em nosso dia-a-dia e como esse movimento vem repleto de inspirações ou mesmo cópias, e que a simples escolha entre uma blusa azul com mangas e uma regata verde diz mais sobre nossa personalidade do que imaginamos.

Como diria Miranda; isso é tudo.



The Stars (Are out Tonight): a volta de David Bowie, da música à moda.



Talvez somente as pessoas que durante cerca de dois anos gravaram em estúdio – sob voto de sigilo – com David Bowie, sabiam de sua volta às paradas musicais (algumas entrevistas podem até nos levar a crer que por ora nem elas). Eis que na noite do dia 8 de janeiro – no aniversário de 66 anos do cantor - o site oficial  mudou sua cara e soltou um pequeno clipe de tom e letra interessantes, rapidamente atingiu mais de um Milhão de acessos. Where are you now?, em meio à palavras em alemão – inclusive em referência a pontos importantes da cidade de Berlim - traz a imagem de Bowie e um vídeo com partes de Berlim ao fundo, pergunta Onde estamos agora?. 



O segundo clipe liberado no site não seria diferente, com Tilda Swinton – que no clipe apresenta um laço-colar, símbolo da primeira coleção prêt-à-porter de Raf Simons para a Dior - e o próprio Bowie nos vemos diante de uma espécie de resumo dos últimos anos da vida do Camaleão do Rock. The Stars (are out Tonight) também causou furor nas redes sociais e a volta de Bowie às paradas de sucesso foi mais que certa. Durante dez anos diversas foram as especulações sobre por onde andava  o cantor, "Where are you now?", que não gravava nada desde 2003. Vez ou outra encontrávamos circulando na web imagens de Bowie quase camuflado pelas ruas de Londres. Muitos afirmavam que em virtude de problemas de saúde e crises de pânico ele raramente se relacionava.

O álbum lançado esse ano, chegou às lojas em março, com 14 faixas e uma edição de luxo com mais quatro músicas, os clipes e dois remixes foi lançada recentemente. Em menos de dois dias vendeu-se cerca de 66.000 cópias no Reino Unido e no Brasil também  extrapolou o esperado em vendas.

A volta do ícone pop não poderia ter sido mais bem recebida. Pouco tempo depois da mudança do site diversas revistas e sites de moda no mundo todo revitalizaram o estilo andrógino, característica mais marcante do cantor. Além disso, circulará em algumas cidades do mundo a exposição intitulada “David Bowie Is” com diversos itens e roupas do cantor. Também, por ocasião da chegada da exposição ao MIS em São Paulo, a partir de janeiro de 2014, a Cosac Naify lançará um livro – que já pode ser comprado pelo site, com previsão de entrega  a partir do dia 15.01.2014 – traçando a carreira do cantor desde a juventude até a transformação em um dos maiores ícones mundiais. O livro, de acordo com o site da editora, é o primeiro produzido com acesso irrestrito ao arquivo pessoal de Bowie. Ademais, conta com textos dos curadores do Victoria and Albert Museum, que sediou a exposição em Londres, até agora, e traz detalhes sobre a influência do artista na música, cinema, moda e comportamento.

Como exemplo da influência do Bowie na moda, podemos pegar a revista L’Officiel Brasil – de la couture et de la mode de Paris – que na edição  de abril, número 10, trouxe diversos ensaios de modelos com roupas do guarda-roupa masculino e de estilo tomboy










Quase inspiração (?), em idos de 2011, antes da febre...



Noutro ponto, caindo na onda de produção em massa, a Riachuelo lançou recentemente a coleção RockBands, que produziu diversas camisetas de bandas famosas, como The Beatles, Sex Pistols, Kiss e, claro, David Bowie. Com a popularização das camisetas a música também sofre um novo embalo. A coleção, com preços bastante acessíveis, caiu na graça popular e é facilmente identificável nas ruas. Na edição do Planeta Terra Festival desse ano, em São Paulo, não era difícil encontrar pessoas com camisetas iguais, várias pessoas. É nesse momento que para se destacar, ou para não sairmos às ruas como consumidores uniformizados devemos investir em detalhes pessoais, capazes de conferir a nós um estilo próprio. Pra isso serve a moda.


 foto: I hate flash



Algumas fotos da Riachuelo:







“We will never be rid of these stars
But I hope they live forever”

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ah, a Moda...



Por que jovens historiadoras decidiram falar sobre moda? Outrora Lipovetsky afirmara que a moda é o último estágio da democracia. Conta-se que o surgimento da moda é algo inseparável do surgimento do mundo moderno Ocidental. Gilles Lipovestky assinala que somente a partir da Idade Média foi possível conhecer a ordem própria da moda, da moda como sistema. Ademais, pensar a história da Moda não é somente circunscrevê-la a um universo datado e estanque. A Moda está justamente no ponto em que se desdobra, transforma-se sócio-historicamente e se expande.
Entre os séculos XIV e XIX – a fase inaugural da moda – revelara-se em seus aspectos restritos, ou seja, sendo puramente artesanal e aristocrática. Elevada ao nível das Belas-Artes, a Alta Costura  impôs um universo marcado pela singularidade da criação e o costureiro tornou-se um artista moderno. Momento marcado pelo redimensionamento da criação, com a ascensão das galerias, dos desfiles em modelos vivos, do apelo ao desejo único.
Todavia, entre os anos 1950 e 1960 a sociedade viu emergir um novo sistema da moda em virtude das transformações culturais, sociais, econômicas, dos últimos anos. A Alta Costura foi pouco a pouco perdendo seu lugar de arte de vanguarda e dando espaço à produção em massa. O prêt-à-porter destruiu a arquitetura da moda de cem anos e hoje está “acessível” na loja da esquina.
Nossa intenção aqui, de jovens historiadoras, é trabalhar com esse universo. Não deixamos de lado nossos grandes ícones, não esquecemos Chanel, Karl Lagerfeld, Dior, Givenchy, Yves Saint Laurent, Stella McCartney, Marc Jacobs..., nem nos metemos a pseudo estilistas ou designers. Mas, procuramos trabalhar com a sociabilidade da Moda. Quer você queira quer não, nenhuma escolha na arara de roupas é feita ao acaso. A Moda está aí transitando e você está dentro/fora dela. E, veja bem, nem é preciso muito dinheiro para isso.
Não importa se você não acompanha os desfiles, se não escolhe roupas por tendências, se é contra a ditadura da beleza. O século prêt-à-porter nunca esteve tão em evidência. E, por favor, como diria Chanel, não se acostumem com a feiura.



“A moda consumada vive de paradoxos: sua inconsciência favorece a consciência; suas loucuras, o espírito de tolerância; seu mimetismo, o individualismo; sua frivolidade, o respeito pelos direitos do homem. No filme acelerado da história moderna, começa-se a verificar que, dentre todos os roteiros, o da Moda é o menos pior. ( LIPOVETSKY, G. O Império do efêmero. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.19)